11 de jul de 2009

Déo com quase

Ele nem fazia meu tipo...
Era alto, moreno, olhos tão azuis que até me davam aflição, era malhado, curtia correr na praia todas as manhãs e ficava horas em frente ao espelho olhando seus músculos.
Ele não gostava de música popular brasileira, não sabia dançar, não curtia poesia, nem reconhecia Chico Buarque, só queria saber de logo me amar (para não dizer outra coisa)
A gente se encontrou na praia, óbvio, ele não saia de lá. Levei uma bolada na cara típica de filme americano, mas foi de verdade. Ele veio correndo me pedir desculpas e se ofereceu para me ajudar. Agradeci e sai de lá morrendo de vergonha (só não sai de lá correndo porque ia dar muito na cara)
A proposta era trabalhar lá no Rio de Janeiro até o final do mês de fevereiro, mas por conta de uns atrasos da diretoria acabaram mudando minha volta para julho! Como cuido de quase todo o evento, tenho que ficar "instalada" o período todo no mesmo local
Nisto acabei encontrando com o gato malhado na academia do flat que eu estava. Bingo! Ele também morava no flat!

Comecei a perceber que todos os dias ele me encontrava no mesmo horário e parecia estar chegando da praia...até um dia que vi que ele ficava me esperando do outro lado da rua e que ao me ver, saía correndo do outro lado da rua e chegava ofegante como se tivesse acabado de voltar da corrida que fez na praia...batíamos um papo, ele perguntava coisas a meu respeito e subia para tomar uma ducha. O nome dele era Théo.
Até que um dia ele resolveu me ligar para conversar sério.


O que foi uma grande surpresa da minha parte considerando que ele só sabia falar que eu era "da ORA", e o restante variava em "só", "tipo assim", "vamo alí e tal", "se que sabe", "cruel", "aeeee belezinhaaaa"...
A gente nunca tinha ficado...eu com quase 30 e ele com quase 21 distribuindo testosterona por todos os poros e músculos, sem chances!
Não poderia abrir mão da minha responsabilidade, do meu emprego, da minha seriedade para correr o risco de ser confundida com uma menina "da ORA", não, Déo não faz isto, por mais que posso ser desmiolada e apaixonada, isto não!!
Como a voz dele no interfone estava realmente séria (sim, pelo fato de morarmos no mesmo flat ele me interfonava quando bem queria), resolvi aceitar o convite dele mais formal de toda sua vida:
- "Déo, vamos jantar?"
- Tudo bem, Théo onde quer ir?
- "Ae, tá me zoando, hoje o convite é meu! Você escolhe a "parada" "
- Imagina querido (digo querido quando estou querendo chamar de outro nome que não pode ser mencionado aqui)
- "Não Déo, as 21 eu passo na sua casa e te levo pra jantar, você gosta de comida natural?"
- Gosto
- "Aeeee, da ora, ja sei onde vou te levar!"
Meu querido papai do céu, será que eu fui culpada pela sua crucificação?
Naquele dia ele tocou a campainha todo arrumado e perfumado, seu pai devia ter muito bom gosto, pois aquela roupa só podia ser emprestada do pai, mas era descolada e moderna.
Em suas mãos havia um pacotinho que ele tentava esconder, era um par de brincos feitos de capim dourado que ele dizia ter a minha cara. Pelo menos foi o que ele escreveu no bilhete: "Brilhante e dourado como você"!
Que fofinho, ele se mostrou pelo menos sensível, embora odeie MPB, poesias e perguntou para mim se o tal de Vinicius de Moraes que eu falei é algum jogador bonito de futebol que esteja na seleção (juro, ele me perguntou isto).
Aceitei o pacotinho e como forma de reconhecimento troquei imediatamente os brincos pelos brincos do tal capim!
Ele me levou num "restaurante alternativo e natural" aqueles açais da vida...que só tem molecada e que a tia aqui estava se sentindo a mãe de todos, embora AINDA não tivesse filhos!
No meio do nosso "jantar" ele se declara dizendo estar completamente apaixonado por mim e que por mais que eu pudesse ter vergonha dele, não desistiria do seu amor.
Diante de tantos sucos de açaí com guaraná e umas 4 latinhas de cerveja que pedi ao garçon de forma discreta (lá ninguém devia ter mais de 18, tirando eu e ele) acabei tascando-lhe um beijo!
Sei lá o clima tava "da ora", as pessoas estavam "tal e coisa" achei que ia ser "aeeeeee belezinhaaaaaaa" tomar esta atitude!
O que era para ser um beijo descompromissado acabou virando noites e mais noites de encontros às escondidas (obviamente a pedido meu, ele não podia falar a ninguém e nem a seu pai, que embora ele dissesse que era mente aberta, tinha idade para ser meu pai) e muita, mas muita disposição!!!!!!
Isto durou um bom tempo até eu encontrar com o meu diretor lá no hall do flat:
- "Olá Deo"
- Oi Sr Sampaio! O que faz por aqui?
- "Déo, ainda bem que te encontrei, vim para cá para ver meu filho, por acaso você viu meu filho?"
- Sr Sampaio, mas eu não conheço seu filho!
- "Não? É verdade!! Ele é alto, tem olhos claros, seu nome é Théo! É fácil de ser conhecido"
- Tttttthéééo? (falei mais alto do que seria um comentário normal e emendei com uma tosse forçada para disfarçar)
- "O que foi Déo?"
- Nada não Sr Sampaio, engasguei.
- "A propósito Déo, você já pode finalizar o projeto e voltar para SP a hora que quiser, se quiser ficar um período aqui de mini-férias, pode também. O cliente gostou muito da sua apresentação inicial e já contratou a nossa empresa. Excelente trabalho Déo!"
- Obrigada, já estou arrumando as malas e voltando para SP hoje messssssssssmo.
Não contei a Théo que o pai era meu chefe e acho que ele também não contou ao pai que estava saindo com a funcionária dele. O que sei é que tempos depois Théo me encontrou numa festa e me perguntou:
- "Não sou a cara do meu pai?" e riu

Reações:

1 comentários:

Deo Deo.... só furada, né.

Será que algum dia eu leio um história de sucesso aqui?

Filho do chefe.. ai ai. Belezinhaaaaaaaaa