17 de out de 2012

Eduardo e Mônica, Deodora e Guilherme

Temos uma amiga em comum, a Denise. Sem minha autorização, Denise mandou uma foto minha para ele ver. Sem pensar duas vezes, ele pediu para ela arranjar um encontro entre nós.

Eu não estava sabendo de nada enquanto ela mostrava fotos dele para mim pedindo minha opinião...eu dizia que ele era uma graça, mas achando que era para ela e não para mim. 
Observação: ela é irmã mais nova do meu amigo Bruno.

Eu confesso que achei ele um gato e com cara de mais velho, mas até ai...

Um mês depois, ela fez a gente se trombar no shopping perto de casa. Guilherme estava lindo, mas quase não falava, parecia um pouco tenso, meio trêmulo, mas me olhava de um jeito que me deixava nervosa. Almoçamos no shopping, conversamos um pouco e ele pegou meu número de celular com uma desculpa muito convincente: ele tinha um amigo que mexia com computador e eu precisava de alguém que arrumasse o meu.

Denise não me dizia nada...
- Denise, quantos anos ele tem?
" - 23."
- Ele estuda o que?
" - Agora ele não está podendo estudar...tá procurando emprego, mas relaxa."

Guilherme me ligou no dia seguinte para dizer que na verdade ele não tinha contato algum para me indicar, ele queria mesmo ter meu telefone para podermos conversar melhor e aproveitando a oportunidade me convidou para sair, mas como infelizmente ele estava sem carro ainda, perguntou se tinha problema irmos de metrô.

Eu fui buscá-lo. Fomos ao cinema. Entramos no carro e caiu minha chave do lado do passageiro. Os dois abaixaram para pegar, típica cena de cinema. Ele me segurou pela nuca e me beijou. Eu pensei - ferrou (para não dizer o palavrão que ia falar).

A partir daí nos víamos quase todos os dias, nos falávamos por mensagem instantânea, torpedos, etc... e eu pensando sobre a idade dele...23 anos, eu 28 anos, isto não vai dar certo. Eu perguntava coisas sobre a vida dele e ele respondendo tudo, mas quando o assunto era emprego, estudo, estágio, ele mudava de assunto.

Eu já estava completamente envolvida, mas não comentava com ninguém. Ficava sem graça em dizer que estava ficando com um moleque de 23 anos...ele dizia que a mãe dele queria me conhecer e eu dizendo que não achava uma boa ideia. 
- Ela vai me achar a "devassa"
" - Larga de bobeira Déo"
Até que um dia ele veio conversar sério comigo:
" - Déo, preciso te contar uma coisa. Tudo o que eu digo sobre mim é verdade, mas tem uma única coisa que eu menti. Eu quero que você acredite no meu sentimento por você. O que eu fiz foi por medo de te perder"
(eu pensei tudo de ruim que alguém podia ser, tudo, tudo...)
- Fala Gui, mas fala agora porque eu não quero mais ficar pensando em várias coisas horríveis e você sabe que eu tenho imaginação fértil...
" - Eu menti a minha idade"
- Ufffa, que alívio, tá bom, você tem o que? 22? tudo bem...isso não é nada!
" - Não Déo, eu tenho menos, bem menos..."
- BEM MENOS QUANTO??? (nunca pensei que por alguns segundos a ideia dele ser um garoto de programa cairia bem melhor)
" - Acabei de fazer 18. Fiz 18 no meio deste mês"

Eu fiquei sem fala porque sabia que a partir daquele momento eu teria que assumir este relacionamento e eu já estava envolvida até o último fio de cabelo. E detalhe: quinze dias antes eu poderia ser presa!!!!! Já pensaram???
Ele com 17 e eu com 28. 
Perguntei se os pais dele sabiam sobre a minha idade, ele disse que sim, que eles não se importavam com coisas deste tipo. Perguntei se a mãe dele sabia mesmo, porque mãe é mãe ne? E ele respondeu que ela não só sabia como dava a maior força para a gente.

Sabe quando a gente não sabe o que fazer? Estava passada...

Depois de alguns dias resolvi encarar a situação: eu definitivamente estava completamente apaixonada por ele que fez questão de me apresentar aos seus pais. Fui muito bem tratada! 
Ele insistiu para que eu apresentasse os meus pais. Enrolei, até que uma hora não deu para dizer não e o mais estranho aconteceu: meus pais não aceitaram muito bem a situação. 

Foi um relacionamento tumultuado pela falta de aprovação da minha família, pela minha falta de segurança na relação (não por conta dele) mas porque me sentia no lugar errado, ocupando um espaço que não deveria ser meu. Achava que pela minha idade eu estaria tirando a oportunidade dele estar com alguém da sua idade e perdendo o tempo dele comigo. Também achava que exigia dele uma maturidade que não era obrigatória para ele.


Quando estávamos só nos dois, não tinha dúvida alguma de que ele tinha sido a escolha certa, mas quando saía do flat e enfrentava o mundo, milhões de dúvidas me acompanhavam. 

E ele que poderia ficar na dúvida de alguma coisa era o cara focado em nós: lutava quase sozinho para que tudo desse certo, dava apoio em tudo o que eu fazia, me fazia rir, me fazia encontrar o lado mais criança de dentro de mim que eu não lembrava que existia, jogávamos vídeo game, desenhávamos corações na areia da praia, fazíamos guerra de cócegas, travesseiros e lençóis, dançávamos um para o outro e chorávamos de tanto rir...

Até que um dia a brincadeira acabou e partimos para outra fase de nossas vidas. O fim foi dolorido porque eu não esperava que ele fosse tomar esta atitude, achava que se isto acontecesse era eu quem faria. 
Ele viu que não dava para continuarmos algo que fatalmente chegaria ao fim por objetivos de vida diferentes: em breve estaria terminando minha pós, viajando para fora por meses e ele "ainda nas aulinhas de inglês"...embora eu soubesse que ele tinha razão, eu não aceitava a situação.

A idade atrapalhou? 

Posso dizer que sim como posso dizer que não.
Atrapalhou porque na hora de pensar em futuro, em juntar os paninhos de chão, ele com certeza não conseguiria me dar o suporte que eu precisava, simplesmente porque determinadas coisas ele não saberia como fazer.
E não, porque esta convivência me fez viver com mais intensidade, mais alegria e por que não dizer que me senti rejuvenescida?

O mais estranho de tudo isto é que eu me sentia inferior a ele, sempre me senti. Achava que ele tinha vivido muito mais do que eu, embora a diferença de idade. Acho também que nunca disse a ele isto e nem o quanto eu o admiro, mas é que na época eu não sabia demonstrar da maneira certa e acabava mais diminuindo do que enaltecendo suas qualidades. 
Minha insegurança era tanta que pensava: se eu elogiar suas qualidades ele  poderá se sentir e achar que eu sou ultrapassada pra ele. 
Como a cabeça de um ser humano é doida né gente?

Hoje relembro com carinho tudo o que aconteceu. 

O tempo passou, nos tornamos amigos...
Às vezes me pego pensando nesta história e no que poderia ter sido se tivéssemos insistido.

Outras vezes penso: se fosse hoje será que esta história seria tão intensa?
Mas de uma coisa eu tenho certeza: faria tudo de novo, exatamente igual e sem medo de ser feliz!

Reações:

12 comentários:

Espero que ele tenha a oportunidade de ler e texto e saber o quanto foi importante.

Déo,

Um graaaaaaaaaaaande amor que tive, foi assim. Perdi pra vida, pro destino, pro acaso, pras sacanagens e picuinhas desse "mondo cane".

A diferença é hoje ela nem mais me olha nos olhos, sou um monstro, um crápula, um zero à esquerda... Putz, como isso me consumiu por anosssssssssssssss!!! Mas, virada página, superado. Ficaram apenas as lembranças e incertezas de um amor perdido.

snif!


Beijãooooooooooooooooo!

Undívago,
The Rocket Man...

Deo ele precisa ler isso, ainda existe paixao pelo q vc disse no post!

Déo gostei muito desse texto.

Se vocês se faziam bem, e se gostavam, isso não devia bastar??
Mas, como sempre só complicamos as coisas.
Uma vez também fiquei com um menino mais novo que eu, mas a nossa diferença de idade era menor que a de vocês, ele tinha 18 e eu 22.
Fisicamente ele aparentava ser mais velho. Quando nos conhecemos perguntei onde ele estudava, achando que assim como eu, ele já estava na faculdade, e ele disse que ainda estava servindo ao tiro de guerra, que ainda tinha 18 anos. Juro para vc que quase não dormi esse dia só pensando nisso. Pq eu sempre gostei de caras mais velhos e tal. Acabou não dando certo, mas eu não me arrependo.
Enfim, acho que muita gente já deve ter passado por essa nóia de diferença de idade.

Bjs Déo.

Um relacionamento não basta apenas o sentimento. Quem pensa que vai viver de "amor e uma cabana", "put your little horse out of the rain".

Por algum motivo, ambos estiveram um na vida do outro. Como diria uma antiga música:

"Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
um dia gente chega,
No outro vai embora..."

O que importa foi o timming que vocês viveram, o amor que sentiram um pelo outro e a intensidade (que foi muita pelo escrito). O restante (apesar de influenciar sim): opinião de família, amigos, vizinhos, a PQP... que se foda! O que importou é que foram felizes e um dia acabou.

E a vida recomeça e as histórias se reciclam!

e diferente do que escreveram acima, não acho que exista paizão, mas sim um carinho e a pergunta que todos nós fazemos sobre um grande amor do passado: "E se...?"

Anonimos Beijos.

Ops! Retificando:

"... e diferente do que escreveram acima, não acho que exista PAIXÂO, mas sim um carinho e a pergunta que todos nós fazemos sobre um grande amor do passado: "E se...?"

(escrevi "paizão"... hehehehe)

Déo, senti muita sinceridade em tudo que li.
Uma história de amor só não vale a pena se não for vivida! Vcs viveram intensamente, apesar de opiniões contrárias, conseguiram se conectar e sorrir. Uma história nunca acontece por acaso. Tenho certeza que ambos cresceram muito e espero que este carinho tenha força para fluir e manter o caminho de vcs unidos, de uma outra maneira, mas gratos pela oportunidade que a vida ofereceu. bjs

Deo já estive dos dois lados, já fiquei com um cara de 40 anos e eu tinha 25 anos, n levei adiante pq o cara era um crianção, ainda morava com a mãe e n tinha a menor maturidade, namorei outro 9 anos mais velho q era um bobão, n tinha uma conversa interessante e ainda por cima tinha várias outras. Tb já fiquei com mais novos (correndo o risco de ser presa tb) com 26 anos fiquei quase um ano com um de 17, mas n me arrependo, n foi paixão, mas foi um refresco depois desses mais velhos crianções. Esse de 17 tinha mais maturidade q os 2 mais velhos, e igual a vc tb me diminuia, estando na faculdade e ele no 2º ano do Ensino Medio, eu me diminuia n por achar ele melhor, mas pra n me sentir mto culpada por estar com um garoto, mas n assumimos compromisso, até pq n existia sentimento para tal atitude. Hoje sou casada há 3 anos com um novinho, tenho 30 e ele 28, as vezes ele é o crianção, as vezes eu sou e somos felizes.

Pessoal,
Curiosamente este post foi um dos mais visitados no blog.
Acho que o tema não é exclusividade da Déo...Lu Morangon, Undívago, Anonimo monossilábico, Leticia Rodrigues, Prizinha Dias, um(a) anonimo(a) e Nelma, por sinal Nelma volte mais vezes para comentar viu?

Realmente consegui me ver quando você descreveu suas experiências...

Bjs da Déo

Deo, voltarei sim, e vou comentar sempre q puder, é a segunda vez leio um post teu, conheci esse blog através do mulher de 30, olha se eu te conto o q aconteceu com essa minha vida, hum daria um livro, tem de trágico a cômico, qq dia reservarei tempo p escrever, o q n servir p dar risada servirá p alertar as moçoilas ansiosas p se apaixonar. E aqui aprendi uma palavra p nomear os tipos q me aparecem: belisco kkkkkkkkkkkk esse teu blog é show além de super sincero
Bjos

Pode contar a sua história Nelma!
Vou adorar publicar aqui!

Obrigada pela preferência!

Bjs da Déo

Déo!!!

Uau que bonitinho!!

Nunca me relacionei com homens mais novos, sempre tive esse impasse, mas como disse alguns de seus leitores acima, já namorei homens muiiiiiiito mais velhos e sem maturidade alguma!

Acho que mesmo com toda essa abertura que temos hoje, temos que ser muito desencadanas para assumir um relacionamento com homens tão mais novos, ainda temos uma cultura, em nossas próprias mentes, que não dá certo. Uma pena, pq como vc mesa descreveu, eles nos rejuvenecem! rs

Já tentou procurar ele hoje? face, twitter, etc...? quem sabe!

Bjs